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Definitive departure from Brazil: Understand the new tax system, the risks of not declaring and when it is really worth formalizing your departure

Nos últimos meses, o tema Saída Definitiva do Brasil voltou ao centro das discussões após uma polêmica declaraçao do governo federal e da Receita Federal indicando um esforço maior para identificar brasileiros que deixaram o país, mas continuam sendo considerados residentes fiscais por não terem formalizado sua saída. Contudo, na sequência a informação foi desmestida pela própria Receita Federal mas não antes de espalhar o medo entre os brasileiros que moram no exterior.

A repercussão veio porque milhares de brasileiros estão nessa situação: moram de forma permanente em outro país, têm emprego no exterior, patrimônio, família, mas não fizeram a Comunicação de Saída Definitiva (CSD) nem entregam a Declaração de Saída Definitiva (DSD) à Receita. Na prática, isso os mantém como residentes tributários do Brasil, trazendo riscos sérios.

Este artigo explica, de forma clara e profunda:

  • o que é a saída definitiva
  • os riscos reais de não formalizar sua saída
  • as vantagens e desvantagens de fazer a saída definitiva
  • em quais situações não fazer a saída definitiva pode ser estratégico

Vamos passo a passo.


O que é a Saída Definitiva do Brasil?

A saída definitiva é o processo pelo qual um brasileiro que passa a residir em outro país declara oficialmente à Receita Federal que não é mais residente fiscal no Brasil.

Isso exige dois passos formais:

  1. Comunicação de Saída Definitiva (CSD)
  2. Declaração de Saída Definitiva (DSD) — que substitui a declaração anual daquele ano

Após isso, a pessoa deixa de ser tributada no Brasil por sua renda mundial, mantendo obrigações apenas sobre rendimentos gerados no país (com tributação na fonte).


Riscos de NÃO fazer a Saída Definitiva

Aqui estão os riscos reais, e todos são graves:


1. Tributação sobre renda mundial

Se você mora fora mas ainda é residente fiscal brasileiro, TUDO o que você ganha fora é tributável no Brasil, incluindo:

  • salário do exterior
  • lucros de empresa no exterior
  • investimentos
  • aposentadoria estrangeira
  • rendimentos de aluguel fora
  • ganhos de capital

Muita gente não declara — e isso pode gerar autuações com multa altíssima.


2. Multas severas por omitir declaração

A multa por não declarar pode chegar a:

  • 20% a 75% do imposto devido, mais juros SELIC
  • multa mínima de R$ 165,74 por atraso (para quem não tem imposto a pagar)

Mas quando há omissão de renda, a multa pode chegar a 150%.


3. Problemas com bancos e corretoras no Brasil

Sem saída definitiva, você continua como residente fiscal.

Isso impede:

  • converter contas para “não residente” (exigência legal)
  • receber rendimentos com tributação correta
  • fechar câmbio como não residente
  • abrir contas internacionais em compliance total

4. Dificuldade futura ao retornar ao Brasil

Se você voltar e tentar:

  • abrir conta
  • comprar imóvel
  • trazer dinheiro do exterior
  • justificar patrimônio

…e estiver com pendências, multas ou omissões, tudo se complica.

Às vezes o prejuízo é maior do que se tivesse feito a saída correta.


Vantagens de fazer a Saída Definitiva

Agora os benefícios — e são muitos.


1. Você deixa de pagar IR sobre renda no exterior

O Brasil passa a tributar apenas a renda de fontes brasileiras.

E a tributação fica na fonte, simples, sem necessidade de declarar no IR anual.


2. Fim da obrigação de entregar Declaração Anual

Você não precisa mais fazer:

  • declaração do imposto de renda
  • justificativa de variação patrimonial
  • cálculo de bens no exterior

Sua obrigação passa a ser apenas no país onde você reside.


3. Evita dupla tributação

De suas rendas do exterior você poderá pagar Impostos ao Brasil se você não formalizou sua saída.

Com a saída definitiva:

  • você evita desenquadramento
  • evita pagar imposto duas vezes
  • organiza sua situação fiscal de forma legal

4. Facilita a vida no exterior

Com a saída definitiva, o contribuinte tem:

  • documentação fiscal clara
  • coerência entre residência fiscal e residência migratória
  • menos risco de gerar inconsistências em imigração
  • mais facilidade em operações bancárias internacionais

5. Ajuda no planejamento patrimonial

Para quem tem:

  • investimentos
  • empresa no exterior
  • imóveis fora
  • renda passiva global

…a saída definitiva permite planejamento tributário internacional legítimo.


Desvantagens da Saída Definitiva (sim, existem casos em que não vale a pena)

Nem sempre fazer a saída definitiva é a melhor escolha.
Existem cenários onde manter residência fiscal no Brasil pode ser estratégico.


1. A pessoa pretende voltar em pouco tempo

Se o brasileiro for:

  • estudante
  • expatriado temporário
  • profissional em contrato curto
  • viajante em período sabático

…às vezes não vale a pena formalizar a saída.


2. Manutenção de benefícios brasileiros

Alguns impactos possíveis:

  • dificuldades para manter plano de saúde nacional
  • impacto em FGTS e INSS (dependendo do caso)
  • alteração em contas bancárias ou investimentos
  • perda de produtos financeiros exclusivos para residentes

3. Tributação brasileira pode ser mais vantajosa

Há países cuja tributação é muito superior à brasileira (ex.: países nórdicos, Canadá, França).

Se o brasileiro continuar elegível no Brasil, pode haver estratégia para:

  • reduzir imposto global
  • manter investimentos no Brasil com vantagem tributária
  • operar sob regime fiscal mais leve em alguns casos

Mas isso só faz sentido quando existe coordenação com legislação internacional.


4. Pessoas que ainda têm forte vínculo econômico no Brasil

Se o brasileiro:

  • mantém empresa aqui
  • tem grande patrimônio local
  • tem rendimentos relevantes no país

…a saída definitiva pode gerar mudanças indesejadas no regime de tributação.


Conclusão: fazer ou não a saída definitiva?

A saída definitiva é quase sempre vantajosa para quem:

  • vive fora do Brasil de forma permanente
  • tem renda no exterior
  • não pretende retornar no curto prazo
  • trabalha ou investe globalmente
  • quer evitar riscos fiscais com a Receita

Mas ela pode não ser ideal para quem:

  • está fora temporariamente
  • mantém planos de saúde e benefícios
  • tem vínculos econômicos fortes no Brasil
  • mora em países com tributação extremamente alta

O importante é não ignorar o tema.

Ainda tem dúvidas? Fale com o time da CR Accounting & Consulting e receba orientação para o seu caso.

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